sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Sobre a depressão

Seguindo o conselho que a minha psicóloga me deu em 2023, decidi voltar a escrever aqui. Há alguns meses eu percebi que precisava conversar. Desabafar. Quis conhecer pessoas novas. Queria saber sobre o outro e falar sobre mim. Uma tentativa de conexão, de troca, de interesses reais. Após algumas tentativas, percebi que isto me trouxe mais problemas do que conforto, mas é tema para outro post.

Desde agosto que estou apenas sobrevivendo. Estou na pior fase depressiva da minha vida. Faço as coisas no automático e muitos dias eu simplesmente não queria viver. Com o passar dos dias, eu fui vendo o quadro se agravar. Muita tristeza. Muito choro. Muitos olhos inchados. Um desespero sem fim. Eu não sei o que fazer para retomar o controle sobre a minha vida, mas estou tentando de tudo.

Então hoje escrevo aqui como uma note to myself para me lembrar de coisas que fazem com que eu me sinta vida, me sinta bem. Um lembrete para a vida. Coisas pequenas, mas que fazem toda diferença. Uma forma de enxergar aquilo que me faz bem e trazer mais gratidão para a minha vida. Uma forma de focar no que é bom.

A ideia é trazer uma coisa boa que aconteceu no meu dia. Uma coisa que pode parecer boba, mas que faz toda a diferença para o meu processo de cura. Então vamos lá!


Hoje eu preparei um café da manhã para mim. Montei a mesa, preparei uma tapioca invertida com ovo que eu amo, preparei o meu café e curti o processo. Preparei com calma, abri a janela da cozinha para sentir o ar fresco, abri as janelas da sala para entrar claridade em casa, e fiz algo por mim e para mim. Sem obrigações. Me sentei à mesa e curti a minha presença. Senti meus pensamentos fazendo sentido novamente. Calmos e serenos. Como é bom conseguir pensar! Por mais que alguns pensamentos sejam tristes e dolorosos, conseguir enxergar as coisas com clareza tem sido libertador.

E foi ali, ao terminar o meu café, que decidi voltar a escrever.

Depois volto com mais uma coisa boa do meu dia!

sábado, 15 de abril de 2023

Sobre dar um passo de cada vez

Eu tenho tentado me respeitar, algo que neglicenciei por algum tempo. Eu faço crossfit há algum tempo e é algo que me faz bem. Ontem, ao sair da aula, eu estava me sentindo bem e retornei para casa com o pensamento de pegar os cães para passear. Eu me sinto bem passeando, sentindo o ar no meu resto e entrando em contato com o mundo. Já era noite e a noite está fresquinha do jeito que eu gosto. Mas a sensação de que eu seria capaz de fazer isso logo passou. Ao mesmo tempo que eu sabia que aquilo me faria bem, alguma coisa me impediu de ir em frente. Não sei nomear o sentimento ainda. Ansiedade, talvez? Não sei. Mas é algo que não consigo controlar e que me paralisa. Eu não gosto desse sentimento. Dessa falta de controle sobre mim mesma. 

Hoje aconteceu algo parecido. Eu queria muito ir ao cross para o aulão de sábado. Ontem, ao sair da aula, falei para um colega que eu iria hoje. E realmente queria ir. Até fiz o checkin na aula. E então eu acordei e comecei a me sentir ansiosa. O motivo, hoje, é mais claro: a aula é em trio e envolve a barra fixa (essa questão da barra fixa quem reparou foi o Matheus). Eu fico ansiosa com aulas que envolvem atividades em grupo. Quando é em dupla eu fico tranquila, pois faço com o Matheus. Mas mais do que isso eu já fico nervosa. Eu sei que teriam várias pessoas conhecidas na aula e o Matheus inclusive sugeriu da gente falar com um amigo antes para já chegarmos com o trio montado, mas eu não me senti bem. Senti angústia e nervosismo. Eu já senti e me forcei a ir mesmo assim diversas vezes. Aos sábados as aulas sempre são em grupo. Mas hoje decidi respeitar o sentimento e escrever a respeito dele. Com relação à barra, os exercícios da aula de hoje envolvem se pendurar na barra fixa e só tem uma barra que possui a altura ideal pra mim. O problema é que ela possui a altura ideal para diversas outras pessoas e disputa por ela também me deixa nervosa, tanto que eu escolho as aulas mais vazias quando preciso usar ou a barra fixa ou o rack (depois explico). Mas sábado não tem pra onde correr: todas as aulas são lotadas. 

Apesar de sentir que fiz o melhor para mim, o sentimento de culpa e fracasso está bem presente. Sinto que falhei ao não encarar a ansiedade e ir, ao mesmo tempo que penso que me forçar a encarar determinadas situações pode ter causado a crise intensa que tive. Não sei. Eu gosto da matemática porque ela é exata, e aqui são muitos questionamentos sem repostas. 

Paro e respiro: um passo de cada vez.

Voltando para a água

E então tudo mudou. Terminei o doutorado em 2017, passei em um concurso em Brasília (Matheus também!) e encerramos nosso ciclo em Campinas em novembro de 2017, quando o Matheus tomou posse em seu novo emprego. Eu tomei posse em janeiro e desde então viramos dois servidores público voltando a morar em casa. 

Na semana passada eu tive uma crise muito intensa de ansiedade que tem me impedido de fazer as coisas básicas do dia a dia, como trabalhar, limpar a casa, descer com os cães... o simples ato de sair de casa tem sido difícil para mim. E foi então que, com a ajuda de muitas pessoas, eu procurei ajuda profissional. Acho importante destacar essa ajuda que obtive dos meus amigos, porque eu sempre fui muito resistente em procurar ajuda profissional, apesar de saber que precisava. Eu sei disto desde que tinha 14/15 anos, mas tal assunto é um tabu em minha família e, por isso, sempre tentei lidar com os meus problemas sozinha, mesmo que de forma, muitas vezes, destrutiva. 

E então eu respirei fundo e fui. Não foi fácil. Me gerou bastante ansiedade. Chorei. Mas compreendi que precisava ir se quisesse retomar o mínimo de controle sobre a minha vida e minha mente, principalmente. Foram dois momentos: um com uma psiquiatra e um com uma psicóloga. Foram dois momentos muito bons e que me deixaram esperançosa com relação ao futuro. 

Durante a conversa com a psicóloga ela fez uma analogia com ficou em minha mente: ela comparou o meu sentimento ao de um peixe fora da água. É uma expressão que usamos muito, né, mas nunca a usei pensando no sentido de se sentir sufocando. Eu sempre uso para expressar um deslocamento de seu habitat natural e fim, sem pensar no que isso causa, de fato, ao peixe. Eu me sinto assim. Um peixe fora d'água. Sem conseguir respirar. Sufocando. Lutando para sobreviver. E foi isso que motivou a troca do domínio (?) do blog, que agora é voltando para a água. Uma maneira de colocar meus sentimentos em palavras para, assim, voltar a respirar. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sobre a saudade

Hoje eu acordei com saudade da cidade que é o meu lar. Eu tinha escrito apenas "lar", mas acaba que meu lar é o nosso cantinho aqui em Campinas, apesar de não conseguir enxergar Campinas em si como o meu lar. É curioso, porque quando estou aqui tenho vontade de estar em Brasília, mas quando estou em Brasília eu sinto tanta, mas tanta falta do meu cantinho.

Essa semana não foi das mais fáceis. Não tenho me sentido bem de saúde e me frustrei bastante com a minha pesquisa. Queria meus amigos, o colo dos meus pais e um ambiente universitário agradável. Apesar de sempre falarem que Brasília é uma cidade "fria", é lá que eu me sinto dentro de um confortável abraço quentinho. Eu sinto falta desse calor. Aqui sim é frio.

domingo, 21 de julho de 2013

Sobrevivi!

Cara, de repente as coisas ficaram tão absurdamente corridas que nunca mais tive tempo para postar aqui. Porém, agora estou de volta!

Como o próprio título diz, sobrevivi ao meu primeiro semestre em Campinas. Foi difícil e desesperador, mas de alguma forma, tudo deu certo. Chorei pela primeira vez na vida ao sair de uma prova. Me questionei se ser matemática era pra mim. Questionei o meu conhecimento, questionei a minha capacidade, questionei a minha força de vontade... Senti medo. Medo do sonho acabar. Medo de não conseguir fazer nada para mudar. Medo de dar o meu melhor e não ser o suficiente.

Foi realmente difícil.

Parei de dormir, me afastei dos meus amigos, parei de sair... Me dediquei de forma jamais vista. E foi então que eu me reencontrei. Senti de novo algo que estava adormecido dentro de mim. Amor. Amor pela matemática. Não que eu não a amasse antes, pois se não amasse não teria escolhido esse caminho para a minha vida. Talvez a palavra correta seja paixão. Me apaixonei. Fui feliz. Sou feliz. Redescobri a beleza da álgebra. Enxerguei beleza na análise. Percebi que sou capaz, basta querer.

Estava precisando de algo assim. De um desafio. Precisava me desafiar. Foram anos achando tudo relativamente simples. Anos em que eu simplesmente parei de me esforçar, parei de querer realmente aprender. Eu sabia fazer provas e isso bastava. Agora não. Não bastava usar as palavras certas. Não bastava escrever de maneira elegante. Não bastava saber fazer aqueles exercícios que eu sabia que cairiam na prova baseada no perfil do professor. Não, não bastava nada disso.

Agora estou aqui, feliz por ter conseguido concluir de maneira satisfatória esse semestre. Poderia ter sido melhor? Poderia. Mas após dois anos parada, não poderia estar me sentindo melhor. :)

E que venha o semestre que vem! Estou mais forte do que nunca. Vou arrasar e tenho o dito!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sobre dias difíceis

Essa última semana foi a mais corrida de todas. Tinha uma lista de exercício gigantes para entregar e cheguei ao meu nível máximo de estresse e cansaço. Na segunda eu fiquei das 9h40 às 2h28 escrevendo sem parar. Mesmo. Meu dedo ficou roxo! E aí na terça, após entregar a bendita lista, me acalmei e bateu aquele desânimo, aquela tristeza. Fiquei com saudades de casa, da minha família, dos meus amigos, da minha cama... Queria fazer as malas e voltar. Mas aguentei. Tive que aguentar. Chorei bastante, me senti burra, inútil... Às vezes penso se serei capaz de levar isso em frente. É pesado. Mais do que eu imaginava.

Mas é isso. É hora de ser forte, levantar a cabeça e seguir em frente. Desistir jamais. Vou dar o meu melhor e se não for pra ser, paciência. É a vida.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Primeira Semana em Campinas

Estamos quase completando a nossa primeira semana como moradores de Campinas. Essa semana foi bem corrida e agitada, pois ainda estamos organizando as coisas aqui na nossa casa. Fico pensando quando os gastos irão acabar. Já compramos muita coisa, mas sempre falta algo. Parece interminável. Até eu que AMO supermercados já estou me cansando de fazer compras. Complicado!

Aqui é muito diferente de Brasília. A padaria mais próxima de onde moramos fica MUITO longe. Aí o jeito é comprar o pão no pão de açúcar. Acho isso estranho, porque em Brasília temos padarias em todas as quadras e bastam 2 minutos a pé para comprar um pão quentinho. Outra coisa diferente é o trânsito. Passamos por um lugar outro dia que tinha uma faixa exclusiva para ônibus, mas o ônibus não cabia na faixa, então ele ocupava metade da outra faixa. Doidera. E nas rodovias não tem pardal, mas de alguma forma eles registram o tempo que você levou entre um local e outro e, a partir disso, calculam sua velocidade média. Se ela for maior do que a velocidade permitida, você é multado. Então não adianta querer dar uma de espertinho e andar loucamente freando apenas nos pardais (como eu fazia em Brasília, hihi). As pessoas aqui também são mais simpáticas. O que não é muito difícil, né? O pessoal de Brasília é frio ao extremo. Fomos bem atendidos em todos os lugares que fomos, mesmo andando de chinelinho. Outro dia estávamos na farmácia e uma senhora deixou um papel cair, aí o Matheus pegou para ela e ela disse: "Muito obrigada, tenha uma excelente semana!". Fiquei pasma. E eles são bem solícitos também. Isso aqui onde eu moro, pelo menos. Campinas é enorme e eu conheço quase nada. Conheço só um pouco do meu distrito, Barão Geraldo (os bares quase todos, haha), alguns shoppings, supermercados e a leroy merlin. Vamos tentar nos aventurar pelo centro nesse final de semana.

Essa também foi a minha primeira semana de aula. Tive apenas duas, porque as aulas começaram na terça, não tenho aulas às sextas e o professor da matéria de terça e quinta viajou na quinta. Minha primeira impressão foi muito boa. As aulas foram legais, mas não dá pra ter muuuuita noção porque só tive aula de revisão, então é bem mais fácil acompanhar quando já se sabe a matéria. O bom foi que eles já divulgaram as datas das provas e não terei provas perto do meu aniversário, então já compramos as nossas passagens para Brasília no dia 13 de junho. Eba! :D

Como nem tudo são flores, no primeiro dia de aula eu fiquei um pouco desanimada. Minha aula é de 8h às 10h e a do Matheus é de 10h às 12h, então eu fiquei sozinha pela UNICAMP durante a aula dele. Foi ruim. Não conhecia ninguém e me senti sozinha. Estou acostumada a sempre ter um rostinho conhecido pela UnB, então foi estranho. Sempre rola aquele pensamento se conseguirei fazer amizades aqui, se o pessoal é legal, se vão nos aceitar bem... Mas, pensamento positivo, né?

Acho que é isso. Apesar da saudades e desses momentos de desânimo, estou feliz.